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28/03/2017 - 08h

Turismo Sustentável: a natureza como aliada do desenvolvimento

Por: Agência Jovem de Notícias

Uma trilha pela mata fechada, respirando o ar puro da floresta e ouvindo a doce melodia do canto dos pássaros. Um mergulho nas águas calmas de um rio ou, quem sabe, uma massagem natural da queda d’água de uma cachoeira. Como não se empolgar com tamanha sensação de prazer e bem estar proporcionado pelo ambiente natural?

Caindo nesse “Brasilzão” afora, somos presenteados com inúmeras belezas que a natureza nos deu o privilégio de chamar de nossas. É o caso das encantadoras cachoeiras de Carolina e o Parque dos Lençóis, no Maranhão, a Chapada dos Veadeiros, em Goiás e outras tantas formações naturais que fazem do Brasil um dos principais roteiros do turismo mundial.

De acordo com o Plano Nacional de Turismo 2013-2016, em 2012 o segmento representou 3,7% do PIB brasileiro e a expectativa é que até 2022 o Brasil seja a 3ª economia turística do mundo.

Lençóis Maranhenses

Lençóis Maranhenses

Com o lançamento dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU em 2015, que criou uma agenda mundial com metas e ações que visam acabar com a pobreza, promover o bem-estar e proteger o meio ambiente, uma nova forma de fazer turismo começou a ganhar destaque: o Turismo Sustentável.

Aproveitando a mobilização mundial pelos ODS, a ONU definiu 2017 como o “Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento”, uma estratégia para integração dos povos, valorização do patrimônio cultural, estímulo ao turismo como potência econômica e exploração racional dos bens naturais.

Mas o que é Turismo Sustentável?
A Organização Mundial do Turismo (OMT) define como “a atividade que satisfaz as necessidades dos turistas e as necessidades socioeconômicas das regiões receptoras, enquanto a integridade cultural, a integridade dos ambientes naturais e a diversidade biológica são mantidas para o futuro“.

Chapada dos Veadeiros

Chapada dos Veadeiros

Portanto, o turismo sustentável deve assegurar o acesso às regiões naturais, porém de forma responsável, com respeito à cultura local, conservando a fauna e a flora.

Porém nem tudo são flores. Ao passo que descobrir e investir em novos roteiros ambientais pode ser uma fonte de renda, iniciativas desse gênero podem comprometer a preservação dos espaços naturais e causar impactos irreversíveis.

Um artigo publicado em 2013 pela Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade, produzida pelo Centro Universitário Internacional Uninter, já evidenciava os riscos dessa nova atividade: “A proposta de extensão de uma atividade turística sustentável é um grande paradigma, visto como um desafio pelos especialistas e estudiosos do fenômeno do turismo, pois um crescimento desordenado, muitas vezes tido como um fator de crescimento socioeconômico de uma certa localidade turística pode levar ao esgotamento dos recursos naturais, assim como, a descaracterização cultural e um desequilíbrio econômico-social“.

Maragogi

Maragogi

Para esclarecer sobre o Turismo Sustentável, a AJN entrevistou a professora Mônica Araújo, Doutora em Desenvolvimento Socioambiental, membro titular do Conselho Estadual de turismo do Maranhão e Chefe do Departamento de Turismo e Hotelaria da Universidade Federal do Maranhão.

AJN: Qual o cenário do Turismo Sustentável no Brasil hoje?

Mônica Araújo: O Turismo Sustentável e o Ecoturismo são segmentos do turismo que têm como objetivo maior fazer com que os turistas conheçam áreas naturais. Esse movimento cresce cada vez mais no mundo inteiro, sobretudo aqui na América do Sul, porque é onde nós temos mais áreas preservadas se comparados a países da Europa, por exemplo. Aqui no Brasil nós temos uma infinidade de áreas preservadas potenciais para o desenvolvimento do ecoturismo, entretanto, para que ele seja desenvolvido nós precisamos de uma série de produtos e serviços para oferecer aos visitantes que queiram conhecer e praticar esse tipo de turismo.

ANJ: A ONU definiu 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável. O que isso contribui ou incentiva para o desenvolvimento desse setor?

Mônica: Primeiro que é um ano em que os olhares maiores estarão voltados para esta temática, pois é o setor que mais tem crescido no mundo todo. Logo, os órgãos públicos e as Universidades realizarão uma série de eventos e isso estimula o interesse dos alunos a escreverem sobre o tema. Nos cursos de turismo, esse tema já é transversal, não é nenhuma novidade.

AJN: Considerando que temos áreas inexploradas, regiões completamente isoladas, como possibilitar o Turismo Sustentável sem causar impactos negativos ao ambiente?

Mônica: A gente parte do princípio que qualquer atividade dentro de uma área protegida é sustentada por um tripé: a conservação da biodiversidade, os benefícios para a comunidade, e a educação ambiental. Isso porque tudo funciona dentro de uma cadeia. Por isso deve-se trabalhar com as comunidades das áreas protegidas, levar benefícios para elas e estimulá-los a conservar a região. Quanto mais a população que está no entorno desse território conhecer e preservar melhor, porque isso minimiza os impactos negativos.

Hoje, nós temos a questão da poluição dos rios, o desmatamento, e isso é prejudicial para o mundo inteiro. Tem outra questão: as infraestruturas próximas a essas áreas muitas vezes não são adequadas; o próprio número de turistas na área em visitação causa um grande impacto, pois há pouco controle e fiscalização.

Monte Roraima

AJN: Como potencializar o roteiro do Turismo Sustentável no Brasil?

Mônica: Depende muito do conjunto de ações e dos atores sociais que estão envolvidos nessas unidades de conservação. Um exemplo que temos é o Parque Nacional da Chapada das Mesas. O parque foi criado em 2005, mas tem uma questão séria: quando o parque foi criado já existiam moradores no local e a legislação não permite. Mesmo já tendo passado mais de 10 anos desde a criação do parque, até hoje não tem um plano de manejo, logo acontece um turismo desordenado.

AJN: O que pode ser feito para o desenvolvimento local?

Mônica: O mundo inteiro desenvolve trabalhos de educação ambiental. Se a comunidade não tiver noção do espaço que ela tem ela, certamente não vai ter o cuidado adequado. Então o trabalho de educação ambiental deve ser desenvolvido junto com as escolas e centro comunitários que estão envolvidos diretamente e indiretamente com essa unidade de preservação.