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26/04/2017 - 07h

Garantir cultura à juventude brasileira foi pauta de Sala Temática do IV EMDS

Como atrair a participação de mais jovens na criação cultural, desenvolver esse eixo e garantir o acesso às atividades culturais no Brasil? Em busca de uma resposta para estas indagações girou o debate da Sala Temática sobre Responsabilidades das políticas setoriais com a Juventude, na manhã desta terça-feira, 25, no IV EMDS. O maior evento de sustentabilidade do país acontece no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, em Brasília/DF, até sexta-feira, 28.

A mesa foi moderada por Gabriela Goulart Mora, oficial do Programa de Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), e composta por Cleomar Souza Manhas, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc); Jorge Adolfo Freire e Silva, coordenador-geral da Secretaria da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura; Jéssica Hipólito, blogueira; Isabel de Paula, coordenadora interina de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO); e Carla Camurati, atriz e diretora de cinema.

A representante do Inesc comentou sobre o Mapa das Desigualdades, desenvolvido no ano passado. É um projeto do Movimento Nossa Brasília, Inesc e Oxfam Brasil, que possibilita pontuar as desigualdades locais, ao comparar regiões, e permite fazer comparações entre saúde, educação e outras políticas garantidoras de direitos, mostrando como estão distribuídas pelas cidades do Distrito Federal. “O Mapa das Desigualdades iniciou em São Paulo e aqui em Brasília, a gente acrescentou um diálogo com o movimento social, porque a gente acredita que não adianta fazer um projeto de indicadores se não dialogar com os sujeitos que estão lá na ponta e que requerem as políticas públicas”, explicou Cleomar.

Jorge Adolfo Freire e Silva falou sobre o projeto desenvolvido por sua coordenação, chamado Pontos de Cultura. Trata-se de um programa coletivo cultural reconhecido e certificado pelo Ministério da Cultura, por meio dos instrumentos da Política Nacional de Cultura Viva, que produz e articula atividades culturais, desde 2004, nas comunidades urbanas e em redes. O público alvo é a juventude urbana, periférica, universitária, jovens artistas, novos arranjos econômicos e produtivos.

A blogueira Jéssica contou um pouco sobre o seu conhecimento sobre movimentos coletivos nas redes sociais. Em seu blog “Gorda e Sapatão”, ela escreve sobre questões que fazem parte de sua própria identidade, como negritude, feminismo, lesbianismo, gordofobia e aceitação do seu corpo. “Eu parti muito da minha experiência, o meu descobrimento, que não aconteceu por osmose. Eu tenho contato com outras jovens negras, que enfrentam as mesmas dificuldades”, explicou. Ela pontuou ainda que quando se fala em estatísticas, retrata bem sobre a realidade das jovens negras. “É a juventude negra que está morrendo, jovens negras que não têm tanta oportunidade profissional e aquelas que conseguem entrar em universidades, mas não conseguem se sustentar até o fim do curso”, apontou Jéssica.

Isabel de Paula comemorou pela Cultura estar como pilar na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). “A Agenda 2030 da ONU é um marco muito decisivo de como a Cultura entrou como um dos pilares do desenvolvimento sustentável. Até então, a cultura passava marginalmente nas políticas de desenvolvimento e hoje ela é considerada central. Não há desenvolvimento se não houver investimento e financiamento à Cultura”, destacou.

Há 15 anos, Camurati faz o festival de cinema infantil, que integra jovens de 4 a 19 anos. Esse projeto foi o principal motivo que trouxe a atriz para participar do IV EMDS. “Dentro deste festival, nós temos duas ações muito importantes: o fórum da infância, onde reúne todas as áreas da esfera pública para acompanhar a infância e a continuidade da vida dos jovens. E a sala de aula, onde pega o conteúdo da educação, de todas as matérias, e cruza com o conteúdo do cinema”, retratou.

Nesta Sala Temática também foram apresentadas soluções inovadoras. O projeto “Fique Sabendo Jovem”, realizado pelo UNICEF em parceria com o Governo do Estado do Ceará, Prefeitura Municipal de Fortaleza; Agência PapaGoiaba no Município de São Gonçalo/RJ e o Programa Escola Integrada -a experiência da implementação da política de educação integral na rede de municípios de Belo Horizonte/MG

Redatora: Deborah Souza

Fonte: Portal EMDS